Já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em...

Ministrado 30/08/2008

Já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim

Col 3
1 PORTANTO, se já ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus.
2 Pensai nas coisas que são de cima, e não nas que são da terra;
3 Porque já estais mortos, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus.
4 Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então também vós vos manifestareis com ele em glória.

Filp 1
21 Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho.

Gálatas 2

20 Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim.

Muitos discípulos têm um conceito errado a respeito do Senhor Jesus. Acreditam que Cristo nos tenha deixado um exemplo de conduta enquanto viveu na terra que devemos imitar. É verdade que a Bíblia nos diz para imitarmos o Senhor ( Rm 15:5; 1 Cor 11:1 etc), e olhando seu propósito Rm 8:29 ( uma família de muitos filhos iguais a Jesus), mas não que o façamos por nossos próprios meios. Antes de poder imitar ao Senhor é necessário compreender que mesmo que muitos tentem, fracassam continuamente. Não percebem quão frágil é o homem e que nenhuma energia carnal pode dar-lhe força suficiente para imitar o Senhor.
Alguns discípulos pensam que podem pedir ao Senhor que lhes dê poder e os capacite simplesmente porque a Bíblia diz: “Tudo posso naquele que me fortalece” (Fp 4:13). Percebem que há muitas coisas a fazer, muitos preceitos bíblicos para obedecer e muitos exemplos que o Senhor nos deu que devemos imitar. Pensam também que não podem fazer nenhuma dessas coisas se não tiverem mais poder. Portanto, pedem ao Senhor que lhes Dê poder. Acreditam que se o Senhor lhes desse mais poder, poderiam cumprir tudo o que lhes é requerido. Muitos simplesmente esperam e anelam diariamente que o Senhor lhes dê poder para dirigir suas atividades.
Está certo que necessitamos buscar o Senhor e pedir-lhe poder, mas além disso precisamos ver algo mais. Se não for assim, nem sempre teremos poder, mesmo que busquemos o Senhor. Podemos orar ao Senhor diariamente para que nos dê poder, mas experimentaremos que, às vezes, Ele responde a nossa oração e às vezes não. Para alguns, isso talvez signifique que podem fazer tudo quanto o Senhor os reveste de poder, e não podem fazer coisa alguma quando não os reveste. Essa é exatamente a razão pela qual muitos discípulos fracassam constantemente. Temos de pedir ao Senhor que nos revista de poder, mas se tomamos isso como mandamento isolado ou como o único caminho, fracassaremos.
. A única razão pela qual podemos imitar o Senhor, pedir-lhe que nos dê força, é porque Ele se tornou nossa vida. Não há como imitá-Lo ou como nos revestir de poder sem entender o significado de : Cristo é nossa vida. Portanto, devemos primeiro entender e captar esse segredo, antes de poder imitar Jesus e pedir-Lhe poder.
Lemos em Colossenses 3:4 “Cristo, que é a nossa vida”, e em Filipenses 1:21: “Para mim, o viver é Cristo”. Isso nos mostra que o caminho para a vitória é Cristo como nossa vida. A vitória é: “Para mim, o viver é Cristo”. Se um discípulo não sabe o que significam as frases: “Cristo, que é a nossa vida”, e “Para mim, o viver é Cristo”, não experimentará a vida do Senhor na terra nem poderá segui-Lo; não experimentará a vitória Nele, nem avançará no percurso adiante.

PARA MIM, O VIVER É CRISTO.

Muitos discípulos tem entendido erroneamente Filipenses 1:21. Quando Paulo disse “para mim, o viver é Cristo”, estava declarando um fato. Muitos pensam que essa expressão é uma meta ou esperança. Paulo não disse que sua meta era viver Cristo, mas estava afirmando: “Vivo porque tenho Cristo e não posso viver sem Ele”. Isso era um fato em Paulo, e não uma esperança de algo que anelava. Seu viver era Cristo. Para ele, viver era Cristo viver.
Gálatas 2:20 é um versículo que muitos discípulos conhecem, porém é ainda mais mal-entendido que Filipenses 1:21. Muitos fizeram de Gálatas 2:20 sua meta, e oram com grande insistência esperando alcançar o nível no qual possam dizer: “Já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim”. Cada vez que lêem esse versículo, enchem-se de aspirações. Muitos oram, jejuam e esperam um dia ser crucificados juntamente com Cristo e chegar ao estado no qual possam dizer: Já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim”. Gálatas 2:20 passou a ser sua meta e esperança.
De acordo com nossa experiência, nenhuma pessoa que tenha essa esperança alcançará sua meta. Se sua meta e esperança é alcançar tal nível, se você aspira ser crucificado, ou seja, deixar de ser você quem viva, para permitir que Cristo viva em você, você ficará esperando para sempre sem ver sua aspiração concretizada, pois está esperando que algo impossível aconteça.
Deus nos deu o dom maravilhoso de graça. Há um caminho. Aqueles que fracassam podem vencer; os que são impuros podem tornar-se limpos; os que são mundanos podem ser santos; os que são carnais podem ser espirituais. Essa não é uma meta, mas um caminho. O caminho está na vida substitutiva. O senhor levou nossos pecados na cruz, e por Sua morte, fomos salvos da morte. Nossos pecados foram perdoados e fomos salvos do juízo. Do mesmo modo, Paulo nos diz que somos salvos de nosso procedimento por meio da vida do Senhor que temos em nosso interior. Isso implica que uma vez que Ele vive em nós, nós simplesmente não precisamos mais viver. Assim como Cristo morreu uma vez por nós na cruz, Ele vive hoje por nós e em nós. Paulo não disse: “Espero não viver mais e deixar que Ele viva em mim”, mas: “Já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim”. Essa é a chave de vitória, é o caminho para que nos tornemos vitoriosos.
No dia em que ouvimos que já não tínhamos de morrer, agarramos essa palavra como a boa nova para nós. Deve ocorrer o mesmo quando ouvirmos que não necessitamos continuar a viver. Espero que os novos discípulos orem intensamente pedindo que Deus os ilumine e vejam que Cristo vive neles e que nenhum deles precisa tentar viver pelos próprios esforços.
Se não compreendemos esse fato, manter um testemunho ou experimentar a vida cristã torna-se um grande fardo. Lutar contra a tentação, levar a cruz ou obedecer à vontade de Deus são um fardo muito pesado. Muitos discípulos percebem que a vida cristã é muito difícil. Esforçam-se, lutam, tentam manter seu testemunho constantemente, e se lamentam por não consegui-lo e de até mesmo envergonhar o nome do Senhor. Muitos não têm forças para rejeitar o pecado e, mesmo assim, sentem-se culpados quando não o rejeitam. Sentem condenação quando perdem a paciência, mas não conseguem controlar sua ira. Ficam tristes ao odiar os outros, mas não tem forças para amar. Muitos estão exaustos por tentar viver uma vida cristã como deveriam. Pensam que a vida cristã é semelhante a escalar uma montanha, ao cume da qual nunca chegarão, com um pesado fardo às costas. Antes de ser salvos, tinham o fardo do pecado sobre as costas. Agora que creram no Senhor, têm o fardo da santidade em suas constas. Mudaram de fardo, e o fardo que agora têm é tão exaustivo e pesado como o primeiro.
Essa experiência mostra claramente que praticamos a vida cristã equivocadamente. Paulo disse: “Já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim”. Essa é a chave da vida cristã, e reside no fato de que é o Senhor em nós quem vive a vida cristã e não nós quem o fazemos. Se você vive como cristão pelo esforço próprio, perseverar será um sofrimento, assim como o serão o amor, a humildade e o levar a cruz. Mas se Cristo vive em você, a perseverança, o amor, a humildade e o levar a cruz serão um gozo.
Pode ser que você esteja cansado de viver como filho de Deus e que a vida cristã o esteja consumindo e prendendo, mas se descobrir que não precisa continuar vivendo, estará de acordo com o fato de o evangelho ser maravilhoso! Todo discípulo pode ser salvo de viver uma vida tão exaustiva. Esse é um grandioso evangelho! Não é necessário empenhar tantos esforços em tentar ser cristão nem levar um fardo tão pesado na vida cristã! Você pode dizer: “Antes ouvi o evangelho e nele me foi dito que eu não tinha de morrer. Mas hoje estou cansado e fadigado de viver. E Deus diz que não tenho de viver. Portanto, agradeço a Deus porque não tenho de esforçar-me para viver”.
Morrer é, sem dúvida, um sofrimento para nós, mas igualmente o é viver diante de Deus. Não temos nenhuma idéia do que seja a santidade de Deus nem do que é o amor ou a cruz. Tentarmos viver uma vida que se harmonize com Deus é um fardo muito difícil de carregar. Quanto mais tentarmos ter tal viver, mais sofremos e mais nos lamentamos. É um esforço enorme lutar para ter um viver cristão. De fato, é absolutamente impossível que façamos. Nunca poderemos satisfazer as exigências de Deus.
Algumas pessoas sempre têm mau gênio. Para outros é impossível ser humildes e sempre deixam seu orgulho transparecer. Tentar viver na presença de Deus e agir humildemente é uma tarefa árdua e pesada para uma pessoa orgulhosa. Em Romanos 7 Paulo se vê como um cristão cansado e esgotado. Ele disse: “Pois o querer o bem está em mim; não, porém o efetuá-lo” (v.18). diariamente ele se esforçava, mas diariamente caía. É por isso que só lhe restava lamentar-se: “Desventurado homem que sou!” (v.24). na verdade, ser discípulo não é um exercício que consiste em levar um homem carnal ao céu e sujeitá-lo à escravidão ali. Felizmente, nenhum homem carnal pode entrar no céu, pois se o fizesse, imediatamente sairia correndo, pois não poderia suportar nem um só dia ali. Seu temperamento, seus pensamentos, seus caminhos e sua opinião seriam muito diferentes dos de Deus. Como satisfaria ele as exigências de Deus? Não teria nada que fazer diante de Deus, exceto sair correndo de Sua presença.
Mas temos aqui boas novas para você: Deus não quer que você faça o bem nem que decida fazer o bem; Deus só quer que Cristo viva em você! Não interessa a Deus se alguém faz boas ou más obras, mas quem é a pessoa que faz as obras. Deus não está satisfeito apenas com o bem; Ele quer saber quem está fazendo o bem.
Portanto, o que Deus deseja não é que imitemos Cristo nem que andemos como Ele; tampouco que nos ajoelhemos pedindo-lhe forças para andar como Ele. Deus deseja que experimentemos o fato de que já não somos nós quem vivemos, mas Cristo vive em nosso ser. Você pode ver a diferença? Não se trata de imitar a vida de Cristo, nem de ser revestidos de poder para experimentar Sua vida, mas de não sermos nós que vivamos. Deus não nos permite viver de acordo com nós mesmos. Não podemos apresentar-nos a Deus por nossa própria conta, mas pelo Cristo que habita em nós. Não somos chamados para imitar a Cristo nem para receber algum poder Dele, mas para deixar que Ele viva em nós.
A vida do discípulo é um viver em que já não é ele quem vive, mas é Cristo que vive nele. Antes era eu quem vivia, não Cristo, mas agora já não sou eu quem vive, mas Cristo. Outra Pessoa vive em meu lugar. Se uma pessoa não conseguir dizer: “Já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim”, tal pessoa não sabe o que é o viver cristão; não sabe o que é a vida de Cristo nem a vida de um cristão, pois meramente aspira que isso aconteça algum dia. Paulo, porém não disse que se esforçava para chegar a esse nível, mas disse ser essa a maneira pela qual vivia. A maneira dele era deixar de viver impulsionado por sua própria vida e permitir que Cristo vivesse em seu lugar.

ESTOU CRUCIFICADO COM CRISTO

Talvez alguns perguntem: “Como posso experimentar o fato de que já não sou eu quem vive? Como meu ego pode ser eliminado?” A resposta a essa pergunta encontra-se na primeira parte de Gálatas 2:20: “Estou crucificado com Cristo”. Se não estou crucificado com Cristo não posso ser eliminado, pois continuo sendo eu. Como posso dizer: “Já não sou eu quem vive”? Somente aqueles que estão crucificados com Cristo podem dizer: “Já não sou eu quem vive”.
Requer-se cooperação de ambas as partes, Cristo e nós, a fim de que nossa crucificação com Ele se torne uma experiência. É impossível que experimentemos essa crucificação se só uma das partes atuar; assim, a cooperação de ambas as partes é essencial.
Nossos olhos interiores devem ser abertos! Quando Cristo foi crucificado, Deus pôs nossos pecados sobre Ele e os cravou na cruz. Essa parte da obra corresponde a Deus. Cristo morreu por nós e removeu nossos pecados. Isso ocorreu há uns dois mil anos atrás, e nós cremos nisso. Do mesmo modo, quando Cristo foi crucificado, Deus nos colocou Nele. Ao mesmo tempo em que foram eliminados nossos pecados há uns dois mil anos, foi também eliminada nossa pessoa. Quando Deus pôs nossos pecados sobre Cristo, também pôs nossa pessoa Nele. Na cruz nossos pecados foram removidos. Também na cruz nossa pessoa foi eliminada. Lembremo-nos de Romanos 6:6, onde lemos: “Sabendo isto: que foi crucificado com ele o nosso velho homem”. Não temos de esperar até ser crucificados com Cristo, pois já fomos crucificados com Ele, para sempre e irremediavelmente. Deus nos colocou em Cristo. Quando Cristo morreu na cruz, nós também morremos.
Se você escreve algumas palavras em um pedaço de papel e em seguida rasga o papel, rasgará também as palavras. Você estará rasgando o papel, mas enquanto o papel é rasgado as letras também os são. A Bíblia diz que o véu do templo estava bordado com querubins (Êx 26:1). Quando o Senhor morreu, o véu se rasgou (Mt 27:51) e,por conseguinte, os querubins também foram rasgados. O véu representa o corpo de Cristo (Hb 10:20). Os querubins têm rosto de homem, de leão, de boi e de áquia (Ez 1:10; 10:20), representando todos os seres criados. Quando o corpo do Senhor Jesus foi rasgado, toda a criação foi rasgada Nele. Ele morreu “para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todos” (Hb 2:9), a palavra “todos” no original grego é “todas as coisas”). Toda a criação morreu juntamente com Ele. Por anos você tem tentado em vão fazer o bem e ser um discípulo vitorioso. Mas Deus o crucificou com Cristo. Quando Cristo foi crucificado, toda a velha criação foi rasgada, incluindo você.
Necessitamos crer nesta verdade; nossos olhos devem ser abertos para que vejamos que Cristo levou nossos pecados e também nossa pessoa na cruz! Nossos pecados foram crucificados e nossa pessoa também. Cristo realizou tudo isto. Muitos fracassam porque continuam olhando para si mesmos. Aqueles que têm fé, devem olhar para a cruz e ver o que Cristo realizou. Deus me colocou em Cristo! Quando Cristo morreu, eu também morri!
Mas, por que essa “pessoa” ainda vive? Se já foi crucificada, por que continua vivendo? Para resolver esse problema, você deve crer e exercitar a vontade para identificar-se com Deus. Se você olha para o seu próprio “eu” continuamente com a esperança de melhorar, ele ficará cada vez mais vivo; não morrerá por si só. Que é a morte? É chegar à extrema fraqueza, ao ponto em que não se pode fazer mais nada, ser frágil. Muitos não reconhecem sua própria fraqueza e continuam fazendo exigências a si mesmos. Isso indica que ainda não estão mortos.
Romanos 6 diz que Deus nos crucificou juntamente com Cristo; entretanto, Romanos 7 apresenta uma pessoa que continua valendo-se de sua vontade. Ainda que Deus já a tenha crucificado, ela continua procurando fazer o bem. Por um lado não quer morrer e, por outro, tampouco consegue fazer o bem. Tudo estaria bem se apenas dissesse: “Senhor, não posso fazer o bem, e não creio que um dia consiga fazê-lo. Não posso nem tentarei”. Mas Romanos 7 diz que o homem não está disposto a morrer. Deus já crucificou nosso velho homem, mas nós não queremos morrer, e continuamos procurando fazer o bem. Hoje, muitos discípulos continuam esforçando-se, mesmo sabendo que não conseguem. Quanto a eles não há nada que se possa fazer.
Um exemplo: suponha que uma pessoa seja muito impaciente. Que ela pode fazer? Talvez faça o possível para ser paciente por seu próprio esforço. Ela pede paciência toda as vezes que ora. Mesmo enquanto trabalha está pensando na paciência de que necessita. Mas quanto mais tenta ser paciente, mais impaciente se torna. Em vez de tentar ser paciente, deveria dizer: “Senhor, já crucificaste essa pessoa impaciente. Sou impaciente. Não quero ser paciente nem vou tentar ser”. Este é o caminho da vitória.
O Senhor já crucificou você. Você deve simplesmente dizer: “Amém”. Uma vez que você já foi crucificado, é inútil tentar se esforçar para ser paciente. Deus sabe que você não consegue e, por isso, o colocou na cruz. Ainda que você continue tentando ser paciente, Deus o considera sem esperança. Mais que isso, Ele já crucificou você! É um grande erro alguém pensar que ainda pode fazer alguma coisa. Também é um grave erro fazê-lo; a única opção que nos resta é a cruz. Ainda que alguém pense que pode, Deus diz que não e que só merecemos morte. Que grande tolice é lutar e continuar decidindo conseguir! Deus sabe que não conseguiremos; portanto, é melhor que estejamos de acordo com Ele. Ele sabe que devemos morrer. Se alguém diz: “Amém morrerei”, tudo fica resolvido.
A cruz é a avaliação que Deus fez de nós. Aos olhos de Deus não conseguiremos. Se conseguíssemos, Deus não nos teria crucificado. Ele sabe que o único caminho para nós é a morte, por isso nos crucificou. Se víssemos as coisas do mesmo modo que Ele vê, tudo estaria resolvido. Deus tem de levar-nos até o ponto em que aceitemos o veredito que Ele emitiu em relação a nós.
Aqui vemos dois aspectos: primeiramente Cristo morreu e nós fomos crucificados, e esse fato Deus já cumpriu. Em segundo lugar, temos de reconhecer esse fato, temos de dizer “amém” a ele. Esses dois aspectos devem trabalhar juntos para que a obra de Deus possa ter algum efeito em nós. Se constantemente tentamos fazer o bem e ser pacientes e humildes, a obra de Cristo não terá nenhum efeito em nós. Nossa determinação de ser pacientes e humildes só piorará as coisas. O melhor é inclinarmos a cabeça e dizer: “Senhor, disseste que estou crucificado, então direi o mesmo. Disseste que sou inútil, portanto confessarei o mesmo. Disseste que não posso ser paciente, então não tentarei ser. Disseste que não posso ser humilde, então pararei de tentar ser. Isso é o que sou. É inútil que eu continue querendo fazer mais determinações. Sirvo apenas para permanecer na cruz”. Se fizéssemos isto, Cristo viveria e se expressaria em nós!
Não devemos pensar que isso seja algo difícil de fazer. Todo discípulo deve aprender esta lição quando recebe a salvação. Desde o inicio devemos aprender a não viver por nossa conta. Em vez disso, devemos permitir que o Senhor viva. O problema está no fato de que muitos discípulos não tem abandonado a esperança que tem em si mesmos. Ainda continuam tentando resolver os problemas sozinhos. O Senhor Jesus não tem nenhuma esperança neles, mas eles ainda continuam lutando e procurando encontrar meios de viver como cristãos. Tropeçam várias vezes e continuam levantando-se e tentando avançar. Pecam seguidamente, mas continuam determinados a não pecar mais. Ainda guardam esperança neles mesmos. Que a misericórdia de Deus abra os nossos olhos para isso. Vermos como Deus nos considera um caso perdido, também temos que nos considerar assim, sem esperança. Já que Deus disse que a morte é o único caminho, também temos que dizer que a morte é o único caminho. Somente, então não desejo continuar vivendo. Estou crucificado juntamente com Cristo. De agora em diante, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim”.
Estamos equivocados há anos no que diz respeito à vida cristã. Temos cometido muitos pecados e estamos atados por muita fraqueza, orgulho e mau gênio. É hora de renunciarmos a nós mesmos. Devemos achegar-nos ao Senhor e dizer: “Já foi o suficiente; nada daquilo que tenho tentado funcionou. Renuncio. Senhor, toma o controle. Estou crucificado. A partir de agora viva em meu lugar”. Isso é o que significa dizer: “Já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim”.

VIVO PELA FÉ NO FILHO DE DEUS

A segunda parte de Gálatas 2:20 também é muito importante: “E esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus”. Cristo vive em nós. Por conseguinte, vivemos pela fé no Filho de Deus. Cremos diariamente que o Filho de Deus vive em nós. Dizemos ao Senhor: “Creio que tu vives por mim; Tu vives em mim”. Quando cremos nisso, vivemos em conformidade com isso. Não importa o que aconteça, não tornaremos nenhuma iniciativa de fazer coisa alguma. A lição fundamental de Romanos 7 consiste em que não devemos fazer resoluções. O ensinamento básico daquele capítulo reside no fato de que é melhor não querer fazer nada, porque o contrário é inútil. Já que qualquer esforço nosso é inútil, devemos simplesmente deter todos os nossos movimentos para fazer coisas.
Com a tentação, Satanás não se propõe a simplesmente fazer-nos pecar, mas fazer com que o velho homem em nós se mova. Quando a tentação chegar a nós, devemos recusar-nos a mover-nos e dizer ao Senhor: “Isto não é minha responsabilidade, mas Tua. Confio em Ti para deixar-Te viver em meu lugar”. Aprenda sempre a confiar no Senhor. Nunca tente mover-se por seu próprio esforço. Somos salvos pela fé, não nas obras. Fomos salvos quando nos confiamos ao Senhor. Hoje também vivemos confiando-nos a Ele. Da mesma maneira que o Senhor nos concedeu a salvação sem necessitar de nenhuma de nossas obras, assim também nossa vida hoje na terra depende somente do Senhor, e não necessita de nossa intervenção. Devemos confiar no Senhor, nosso Salvador, e dizer-lhe: “Senhor, vivas Tu somente; eu não vou viver”.
Se continuarmos agindo por nossas próprias forças depois de dizer isto ao Senhor, teremos dito em vão. Devemos suspender nossa atividade se queremos que essas palavras tenham algum significado. Devemos lembrar que o fracasso não provém de não termos feito o suficiente e, sim, de termos feito em demasia. Enquanto o homem continuar esforçando-se, a graça de Deus não poderá operar nem perdoar-lhe os pecados. Da mesma forma, enquanto o homem estiver ocupado em sua própria obra tentando fazer de tudo para Deus, a vida de Cristo não se manifestará. Essa é uma regra. A cruz não terá nenhum efeito naqueles que confiam em sua própria obra. Enquanto tentamos ser bons, não fomos salvos. Mas quando nos esquecemos de nós mesmos e deixamos que o Senhor atue, somos salvos. O mesmo é válido na atualidade. Se tentarmos fazer obras em lugar de deixar que a cruz e a vida de Cristo operem em nós, nossas palavras serão em vão.
Devemos aprender a sentenciar-nos a nós mesmos e reconhecer que nunca conseguiremos vencer por nossos próprios esforços. Não precisamos tentar fazer algo. Simplesmente busquemos ao Senhor e digamos-lhe: “Confio em Ti, pois vives em mim. Vive em meu lugar. Venho a Ti para obter a vitória. Peço-te que expresses Tua vida em mim”. Se dissermos isto, o Senhor o fará por nós. Mas se, por causa de nossas próprias obras, nos tornamos um obstáculo para nossa fé, o Senhor nada poderá fazer. Temos de resolver este assunto de uma vez por todas. Temos de crer diariamente e dizer-lhe todos os dias de maneira definitiva: “Senhor, sou inútil. Tomo Tua cruz. Senhor, salva-me de mover-me. Sê meu Rei e expressa Tua vida em mim”. Se pudermos crer e confiar dessa forma, poderemos testificar diariamente: “Já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim”.

Postado em
Enviado por Mauricio em 30 agosto, 2008 - 23:32.

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